Archive for the ‘Artes’ Category

Nos 400 anos da morte de Caravaggio

Junho 17, 2010

 Michelangelo Merisi nasceu em 29 de Setembro de na aldeia Caravaggio, nome que veio a adoptar anos mais tarde.

Aos doze anos iniciou a sua aprendizagem artística, tal como muitos outros pintores da sua época, com um modesto pintor.

Com a idade de quinze anos, e depois de ter fugido para Roma, inicia um percurso instável, mudando continuamente de mestre.

 Esta instabilidade irá acompanhá-lo ao longo da vida, tal como a frontalidade com que abordou temas religiosos, enfrentando a poderosa Igreja Católica. A originalidade da sua obra, sempre provocatória para a época, desde cedo lhe granjeou amigos e muitos inimigos. Em vida foi considerado perigoso e fascinante.

 Senhor de um espírito turbulento viveu a sua vida entre duelos, discussões, processos judiciais, e pensa-se que terá assassinado o nobre Tommasoni.

 Caravaggio frequentou ambientes de levado e refinado nível cultural, mas era mais assíduo nas tabernas e tascas Romanas, sempre disposto a envolver-se em brigas, duelos e a perturbar a ordem pública.

 Figura exótica vestia roupas extravagantes, usava chapéus negros de abas largas, espada sempre à cintura, transportando, ao colo, um pequeno cão.

 A vida de boémia, a companhia de rufias,  pícaros e as dívidas acumuladas levaram – no à miséria.

Foi graças a este seu carácter brigão que acabou por morrer aos 39 anos numa praia deserta esvaído em sangue a 18 de Julho de 1610.

 Ficou a sua obra genial. Única no seu tempo. Trabalhando a luz e a sombra com mestria, retratando o povo anónimo das ruas de Roma: vendedores ambulantes, músicos, ciganos, prostitutas, marinheiros.

Estes eram os modelos nas suas obras de carácter religioso.

 O realismo da sua obra foi marcante nos movimentos artísticos que se seguiram.

 “Não sou um pintor valentão, como me chamam, mas sim um pintor valente, isto é, que sabe pintar bem e imitar bem as coisas naturais.” Caravaggio referindo-se a si próprio.

UMA BREVE ARAGEM CONTÍNUA E INVISÍVEL

Junho 15, 2010

A Escola Secundária de D. Duarte continua a ser uma caixinha de surpresas. Tenho tido o privilégio de descobrir que os alunos que frequentaram a DD, aqui ganharam “raízes para se fixar e asas para voar”! E que alto que eles voam!

Deixo aqui mais um exemplo que justifica que a arte andou sempre à solta na Escola. E se observarmos com atenção, abrindo bem os olhos e deixando-nos embalar pela breve aragem que continuamente corre dentro e fora das suas paredes, teremos oportunidade de a ver passar, apesar de invisível. Não deixar que essa breve aragem fuja, poderá garantir uma DD onde a transgressão (fundamental para o crescimento), a responsabilidade, a alegria de viver e aprender, a liberdade, o respeito pelo outro, a cidadania são os pilares que fizeram, fazem e farão a sua DIFERENÇA.

Uma Escola com uma cultura própria, que se afirma tanto no mais simples gesto como no projecto mais complexo.

E, quando um dia for abatida a camartelo pela voragem que a espreita, a sua marca não será apagada pois ela será tema recorrente entre todos os que foram tocados pela breve aragem que continuamente corre dentro e fora das suas paredes, apesar de ser invisível.

Mário Manaia partilha com a DD a sua arte

Memórias da DD

Junho 3, 2010

Duarte de Bem foi a revista publicada ao longo de anos na Escola Secundária de D. Duarte. E porque se não recordarmos esquecemos,  é bom refrescar a memória e deixar neste blog um pouco da memória da Escola. Não esqueçamos que o maior inimigo do Património é o esquecimento. Deixem aqui as vossas memórias. Estamos em tempos de debandada, mas que fiquem aqui registadas algumas realizações que foram e continuam a ser o suporte da cultura de escola que faz da DD um caso excepcional.

ENCONTRO E CONFRONTO….

DESCOBRIMENTOS E ENCOBRIMENTOS#

Nos finais do século XIV, uma Europa faminta, destroçada por guerras e pestes, contrasta com o norte de África rico, próspero, fervilhante de gente. Ouro, cereais, sedas, produtos exóticos alimentam miragens e sonhos transportados pelos espiões que ali arriscavam as vidas a troco de informações preciosas. As caravanas, que sulcavam os desertos transportando riquezas imensas, povoavam os sonhos europeus.

Desfeitos os sonhos em Ceuta, em breve serão as caravelas a sulcar os mares em busca dessa riqueza que  o imaginário paupérrimo da Europa exagerava e aumentava na justa proporção das suas necessidades e carências. 

Novos caminhos se abrem aos quais ficarão ligados o Infante D. Henrique, D. João II, Gil Eanes, Afonso Baldaia, Antão Gonçalves, Dinis Dias, Cadamosto, João de Santarém, Pedro Escobar, Fernão Gomes, Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Cristóvão Colombo, Vasco da Gama, Alvares Cabral, Fernão de Magalhães, Francisco de Almeida, Afonso de Albuquerque protagonistas, entre muitos outros, de uma ilusão que, como todas as ilusões, tomou por vezes forma de realidade.

Em época de comemorações, a investigação que se desenvolve em tais circunstâncias, tem criado a possibilidade de conhecer de modo crítico e rigoroso, a epopeia dos Descobrimentos, mas tem também sido fecunda em frases feitas e lugares comuns que subvalorizam o CONFRONTO de culturas e sobrevalorizam o ENCONTRO de culturas, que esquecem os ENCOBRIMENTOS e apenas lembram os DESCOBRIMENTOS.

Testemunhos da época relatam-nos, com a ingenuidade de quem não tem uma imagem para impor, toda a complexidade e diversidade de atitudes tomadas pelos portugueses face a novos povos, novos mundos, novas culturas (que afinal eram tão velhas!). E se os portugueses, protagonizaram o ENCONTRO DE CULTURAS, logo em seguida foram DOMINADORES, e se foram DESCOBRIDORES em breve viraram CONQUISTADORES.

“ E em acabando estas razões, olharam para a povoação e viram que os mouros, com suas mulheres e filhos saíam já quanto podiam dos seus alojamentos, porque ouveram vista dos contrários e eles chamando: “Santiago! Sam Jorge! Portugal! Deram sobre eles, matando e prendendo quanto podiam.

… e uns se afogavam sob as águas e outros pensavam de se esconder sob as cabanas, outros escondiam os filhos debaixo de limos, por cuidarem de escapar, onde depois os achavam.” (Gomes Eanes de Zurara, Crónica da Conquista da Guiné, p.102)

“De modo que este senhor Infante fez construir um castelo nesta ilha, para conservar e multiplicar este tráfico perpetuamente… de modo que se traz de Arguim para Portugal de 800 a mil escravos todos os anos”. (Luís Cadamosto, Viagens, p.104)

“ Quando o Capitão viu esta destruição e mau recado, mandou aprisionar dez naus de mouros, que estavam no porto e fez matar toda a gente que nela se achava, que seriam de quinhentos a seiscentos homens…As naus depois de descarregadas foram queimadas”. (Piloto anónimo, A Expedição de Pedro Alvares Cabral e Descobrimento do Brasil)

“Não dão os Tupinambás a seus filhos nenhum castigo, nem os doutrinam, nem repreendem por coisa que façam, aos machos ensinam-nos a atirar com arcos e flechas ao alvo e trazem-nos sempre às costas até à idade de sete oito anos e o mesmo às fêmeas. (Gabriel Soares de Sousa, Notícia do Brasil)

A diversidade de actuação dos portugueses perante os povos encontrados conferiu à cultura portuguesa um carácter multifacetado onde se acumulam resíduos dos mundos encontrados.

Europa, Brasil, Ásia e África são as diversidades que constituem a unidade da cultura portuguesa.

Algumas questões se nos põem em tempos de mudanças a breve prazo:

Como sobreviverá esta cultura plural numa Europa espartilhada em unidade política, económica, monetária, militar? Que futuro para o português no espaço “claustrofóbico” europeu? Resistirá, Portugal, ao apelo da cultura e do sangue que chegam do outro lado dos mares? Que fazer com Maastricht?


# M ª da Glória Rodrigues, 1994

Ontem como hoje, os nossos alunos são uns artistas!

Abril 24, 2010

Admirem as capacidades dos nossos alunos. Neste caso ele mantém bem viva a dmiração pela escola. Obrigada, Paulo Caixeiro.

O Fascinante mundo da fotografia

Abril 6, 2010

Robert Doisneau

Robert Doisneau nasceu em Gentilly, perto de Paris em 1912 e tendo morrido em Paris em 1994.

Em 1929 dedicou-se à fotografia, registando momentos do quotidiano parisiense. Ficou conhecido como um dos mais famosos “fotógrafos de rua”.

E por ter dedicado uma parte significativa do seu trabalho à escola e sobretudo aos alunos, ficam aqui registados instantâneos ímpares desse quotidiano.

O Fascinante mundo da fotografia

Março 18, 2010

Tina Modotti, nasceu na Itália em 17 de Agosto de 1896. Nascida numa família pobre, emigrou para os EUA na companhia da mãe e do irmão. Aí trabalhou como costureira e, distinguindo-se pela sua beleza, iniciou-se no mundo do teatro.

Trabalhou como modelo fotográfico tendo contactado, desse modo, com a arte da fotografia.

Após a morte do pai dedicou-se ao estudo da fotografia, aprendendo com seu mestre Edward Weston. Em breve viajaria para o México na sua companhia.

Nos finais dos anos vinte fez a sua entrada na política, tendo sido militante do Partido Comunista. Conviveu com os artistas mexicanos Frida Kahlo e Diego de Rivera.

Aí Tina Modotti passou a retratar as desigualdades sociais. Enfrenta graves problemas pessoais, abandonou a fotografia, sendo expulsa do México por motivos políticos. Na Europa envolveu-se na Guerra Civil de Espanha e desenvolveu actividade revolucionária na Europa fascista.

Em 1939 voltou ao México, onde, abandonada pelo Partido Comunista, morreu em Janeiro de 1942 na Cidade do México.

Ficou conhecida na história da fotografia pela qualidade da sua arte (uma das suas fotos chegou a ser a mais valiosa do mundo) mas também continua a ser uma referência na luta pela liberdade e pela denúncia das desigualdades sociais.